Os deputados alegam que o posicionamento do presidente durante sua viagem, são uma ofensa às vítimas da Segunda Guerra Mundial
No último domingo (18), um grupo de deputados federais da oposição a Luís Inácio Lula da Silva, anunciaram que irão protocolar na Justiça um pedido de impeachment contra o presidente. Eles analisam que o discurso de Lula durante sua viagem a Europa Central, no evento Adis Abeba, na Etiópia, foi uma fala que configura crime e irresponsabilidade.
Após o evento, que aconteceu no domingo (18), em uma entrevista coletiva, Lula teria dito que: “O qe está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler decidiu matar os judeus”, disse o presidente na coletiva.
Para a deputada Carla Zambelli, a declaração do presidente foi um crime de responsabilidade. “Não se pode comparar o incomparável. Nada se compara à maior tragédia da humanidade, que foi o Holocausto e que vitimou 6 milhões de judeus, além de diversas minorias. É injustificável, leviana e absurda a afirmação do presidente da República. É uma afronta aos judeus, aos descendentes do horror do nazismo e algo que só fomenta o crescimento do antissemitismo no Brasil. O direito à liberdade de expressão não engloba a banalização ao Holocausto”, alegou a deputada.
Para o grupo de deputados o presidente cometeu um crime de responsabilidade por “ato de hostilidade contra a nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”, conforme consta no Artigo 5º da Constituição.
Ainda acrescentaram que: “Isso enseja o pedido de impeachment que estamos apresentando contra o mandatário da nossa nação, que expôs-nos a perigo de guerra, como medida da aplicação da mais inteira e urgente Justiça”, descrito no documento apresentado pelo grupo de deputados.
Sobre a declaração o presidente de Israel, Issac Herzog, disse em suas redes sociais, que condena veementemente a declaração do presidente do Brasil, ao comparar a situação atual do povo de Israel ao Holocausto. O presidente israelita disse que é uma distorção imoral da história, e pede que outros líderes nacionais também condenem a declaração do presidente do Brasil.
A Confederação Israelita do Brasil (Conib), repudiou a fala do presidente Lula e declarou: “Os nazistas exterminaram 6 milhões de judeus indefesos na Europa somente por serem judeus. Já Israel está se defendendo de um grupo terrorista que invadiu o país, matou mais de mil pessoas, promoveu estupros em massa, queimou pessoas vivas e defende em sua Carta de fundação a eliminação do Estado judeu”, declarou a Conib.
Outros políticos, especialistas e entidades têm reagido às declarações de Lula e alegam que isso compromete a imagem do Brasil no cenário internacional e demonstra desconhecimento histórico e visão anti-Israel.
Em nota, o Instituto Brasil-Israel disse que a declaração de Lula, foi um erro grosseiro que pode causar tensões e afetar a credibilidade do governo brasileiro como agente de paz. “O genocídio nazista foi um plano de exterminar, em escala industrial, toda a presença judaica na Europa, sob uma ideologia de superioridade racial e antissemitismo. Não há paralelo histórico a ser feito com a guerra em reação aos ataques do Hamas, por mais revoltantes e dolorosas que sejam as mortes de dezenas de milhares de palestinos, entre eles mulheres e crianças, além dos cerca de 1.200 mortos israelenses e as centenas de civis que permanecem sequestrados em Gaza”, declarou o Instituto.
Blog do Alisson Nascimento





