O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma nova denúncia contra os donos da Braiscompany e seus associados, no âmbito das investigações sobre a atuação da empresa no setor de criptoativos e a falta de pagamentos a clientes na Paraíba e no Brasil. Os procuradores do MPF indicam que Antônio Neto Ais e Fabrícia Campos são suspeitos de lavagem de dinheiro, incluindo a venda de patrimônio em imóveis e bens de alto valor, como uma aeronave. Joel Ferreira de Souza é apontado como o doleiro responsável pela operação de lavagem de dinheiro.
De acordo com o MPF, a investigação revelou, principalmente através da análise de dados telemáticos, que, durante toda a atividade empresarial, e especialmente na fase final do colapso da empresa, os sócios Antônio Neto e Fabrícia Farias realizaram grandes operações financeiras ilícitas típicas de lavagem de capitais com Joel Ferreira de Souza, para se desfazer de patrimônio em imóveis e bens de alto valor.
Foram denunciados Antônio Inácio da Silva Neto (Antônio Neto Ais) e Fabrícia Farias Campos, donos da Braiscompany, além de Victor Augusto Veronez de Souza, Joel Ferreira Souza, Mizael Moreira Silva, Clélio Fernando Cabral do Ó e Gesana Rayane Silva. A denúncia foi assinada pelos procuradores da República Acácia Soares Peixoto Suassuna e Bruno Barros Assunção.
No documento, os procuradores detalham toda a operação financeira, descrita como um esquema de lavagem de dinheiro. Em um trecho, é mencionado que Neto Ais pagou R$ 35 mil a Joel Ferreira como uma taxa de 3,5% pelo serviço. “A única explicação plausível para a operação é que a empresa aceitou pagar uma comissão a um intermediário para evitar a necessidade de liquidar o valor em criptoativos e sacá-lo em uma agência bancária, o que geraria uma comunicação da instituição financeira ao COAF”, diz a denúncia.
Em outro trecho, os procuradores detalham o papel de cada acusado: “há indícios concretos de autoria porque (a) JOEL FERREIRA comandava o escritório profissional de lavagem de capitais, participando de todas as tratativas narradas; e (b) ANTÔNIO NETO e FABRÍCIA FARIAS, como sócios da empresa Braiscompany, participaram diretamente das negociações com JOEL FERREIRA sobre valores, taxas, formas de entrega e transferência, etc.; e (c) GESANA ALVES, atuando fora das atribuições de consultora (gerente select) da empresa Braiscompany e em desacordo com seus atos normativos internos, auxiliou na prática dos atos de lavagem, sendo responsável por coletar parte do valor da operação em espécie (R$ 1.750.000,00), no escritório de JOEL FERREIRA.”
Após um período foragido, Antônio Neto Ais foi preso na Argentina, onde permanece detido até a decisão do governo argentino sobre sua extradição. Fabrícia Campos foi presa inicialmente, mas posteriormente liberada provisoriamente. Neto Ais, Fabrícia e outros réus já foram condenados em uma das ações apresentadas na Justiça.
Blog do Alisson Nascimento





