O líder da oposição na Câmara Municipal, Anderson Pila (PSB), anunciou que prepara um pedido de intervenção da Secretaria de Saúde local junto ao Ministério Público da Paraíba (MPPB). Durante entrevista à imprensa, o parlamentar afirmou que a medida se tornou necessária diante da situação nos hospitais da cidade, onde pacientes relatam demora no atendimento e falta de repasses financeiros.
Pila argumentou que o cenário ultrapassou o limite da tolerância e responsabilizou a gestão do prefeito Bruno Cunha Lima (União). Para o vereador, a população “padece de morte” nas portas das unidades básicas, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e dos hospitais, enquanto “o poder público assiste de braços cruzados”.
O oposicionista elevou o tom ao defender a renúncia do chefe do Executivo. “Campina Grande clama por ações concretas. Caso o prefeito não tenha condições de governar, que entregue o cargo para evitar que a cidade mergulhe ainda mais em problemas”, declarou. Ele citou os três primeiros anos da atual administração como “talvez o maior problema político” já vivenciado pelo município.
Hospitais ameaçam parar em 1º de fevereiro
A tensão ganhou força após um ofício entregue pelos hospitais privados e filantrópicos que integram a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. No documento encaminhado ao secretário de Saúde, Dunga Júnior, as instituições comunicam que serão “obrigadas” a suspender atividades a partir de 1º de fevereiro, caso os repasses financeiros atrasados não sejam regularizados.
Assinam o texto o Hospital João XXIII – Sistema de Assistência Social e de Saúde (SAS), o Hospital Geral Antônio Targino – Fundação Assistencial da Paraíba (FAP), a Clínica Dr. Maia – Instituto Neuropsiquiátrico de Campina Grande, a Clipsi Serviços Hospitalares e a Fundação de Olhos da Paraíba (FOP). Todas alegam dificuldade para manter plantões, comprar insumos e quitar salários sem o repasse municipal.
Agenda de reuniões e pressão política
Na tarde desta terça, vereadores da base governista e da oposição reuniram-se com representantes dessas unidades hospitalares a fim de discutir saídas imediatas para o impasse. Ficou definido que, nesta quarta-feira (28), haverá audiência na Casa Félix Araújo. O secretário de Finanças de Campina Grande, Gustavo Braga, é aguardado para justificar o atraso nos pagamentos e apresentar um cronograma de regularização.
Anderson Pila reiterou que a decisão de provocar o MPPB dependerá do resultado desse encontro. Se as respostas não forem consideradas satisfatórias, o pedido formal de intervenção será protocolado. “Não existe espaço para negligência”, afirmou.
Até o momento, a Prefeitura de Campina Grande não anunciou plano de contingência ou data exata para quitar as pendências, mantendo o clima de incerteza entre pacientes, profissionais de saúde e gestores das instituições filantrópicas.
A crise na Saúde municipal ocorre às vésperas do período pré-eleitoral, aumentando a pressão sobre a administração e abrindo novo capítulo na disputa política local.
Blog do Alisson Nascimento





