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Quem é o empresário preso na Paraíba por esquema suspeito de lavar R$ 1,6 bilhão com MC Ryan SP e Poze

A Polícia Federal prendeu MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em uma megaoperação denominada de NarcoFluxo contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão, na quarta-feira (16).

Durante a operação, um empresário identificado como Guilherme Ricardo Fuhr foi preso em um hotel de João Pessoa, mas é natural de Santa Catarina. Um documento da Polícia Federal e também da 5ª Vara Federal de Santos, em São Paulo, explicam como o esquema acontecia e qual a participação do homem preso na Paraíba.

Conforme os documentos, ele é apontado pelas autoridades como “facilitador financeiro” do esquema, utilizando as empresas dele como uma espécie de fachada para viabilizar a circulação, ocultação e reintegração de recursos ilícitos oriundos de apostas ilegais.

Ele também é suspeito de ser “financiador de despesas” de um dos apontados como maior beneficiário da organização criminosa, MC Ryan SP.

A reportagem procurou a defesa do empresário, que preferiu não comentar sobre a situação.

Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos na operação, além de outros produtores de conteúdo.

A atuação do empresário, segundo a PF

Guilherme Ricardo Fuhr é apontado pela PF como suposto integrante de uma organização criminosa estruturada, investigada por atuar na lavagem de capitais oriundos, entre outras fontes, de apostas ilegais, conforme a investigação. Ele seria o dono da controlador das empresas Digito Intermediação e GRF Assessoria LTDA.

A suposta participação dele aparece no chamado “núcleo financeiro-empresarial” do esquema, composto por diversos indivíduos responsáveis por viabilizar a circulação, ocultação e reintegração de recursos ilícitos com aparência legal no mercado.

Ele também é apontado como financiador de despesas pessoais de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apontado como o principal beneficiário econômico da organização criminosa.

Na representação da PF, o esquema é enquadrado como envolvendo técnicas de lavagem de dinheiro, como uso de empresas de fachada, fragmentação de transações financeiras, triangulação de operações e circulação internacional de valores.

Cantores e influenciadores presos

Segundo a investigação, o esquema utilizou a indústria audiovisual e o showbusiness digital unindo o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores de massa.

Ryan Santana dos Santos, de 25 anos, é um dos principais nomes do funk nacional. Em nota, a defesa dele disse que ainda “não teve acesso ao procedimento, que tramita sob sigilo”, mas ressaltou a “absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras”. Disse ainda que “todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada”.

No caso de MC Poze do Rodo, que se chama Marlon Brandon Coelho Couto Silva e tem 27 anos, a defesa afirmou que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão” e que, quando tiver acesso aos documentos, “se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.

Poze do Rodo foi preso em casa, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

O advogado de Raphael Oliveira disse que “seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital”. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.

No total, havia 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão para serem cumpridos em oito estados e no Distrito Federal.

Como aconteceu a operação

Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação conta com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Segundo as investigações, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram mandados judiciais, entre buscas e apreensões e prisões temporárias expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos, em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal e Paraíba. Também foi determinado o sequestro de bens.

As investigações continuam e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

Com Jornal da Paraíba

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