O novo embaixador indicado pelo governo Donald Trump para representar o país no Brasil, Daniel Perez, é um ponto a favor do bolsonarismo e da direita brasileira e pode influenciar a campanha presidencial brasileira. Deputado estadual pela Flórida por oito anos, ele é do partido Republicano, é cubano-americano — como Marco Rubio, o chefe do Departamento de Estado que é aliado do clã Bolsonaro –, é um ferrenho militante anticomunista e defende muitas posições conservadoras em temas morais e de comportamento.
Perez, que tem apenas 38 anos de idade, é também um entusiasta do movimento MAGA (sigla para “Make América Great Again”, ou “Faça a América grande de novo”), alinhado a Trump. Ele também reforça a ascensão cada vez maior dos republicanos da Flórida, estado de Trump e ponta-de-lança da resistência americana à esquerda latino-americana. Originalmente de Nova York, Perez é de família cubano-americana e se mudou para a Flórida na década de 1990. Ele é formado em direito pela Florida State University e foi eleito deputado pela primeira vez em 2017, chegando ao posto de presidente da Casa em 2024.
A última embaixadora americana no Brasil foi Elizabeth Frawley Bagley, que deixou o cargo pouco antes do fim do governo do ex-presidente Joe Biden e o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025. A missão americana no Brasil vinha sendo comandada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.
Tensão entre Lula e Trump
A nomeação de Perez ocorre em um momento de nova tensão entre o governo Lula e a gestão Trump. Na semana passada, Marco Rubio anunciou que os Estados Unidos passariam a classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas, o que contrariou a posição do governo brasileiro e deu gás para a propaganda eleitoral do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que havia pedido exatamente isso a Trump durante encontro na Casa Branca.
Agora, o governo americano anuncia também um tarifaço de 25% na importação de produtos brasileiros, medida que aumenta o desconforto com a administração Lula e que terá novamente impacto na disputa presidencial brasileira. Em entrevista concedida em Belo Horizonte, Flávio disse que pediu a Trump que não taxasse empresas brasileiras, em uma tentativa de evitar eventual desgaste político com a medida. Na pré-campanha, Lula vem batendo na tecla de que a família Bolsonaro é “traidora da pátria” e atua contra os interesses do Brasil nos Estados Unidos.
Temor de interferência americana
A nomeação de Perez aumenta os temores de que o governo Trump pode tentar interferir nas eleições brasileiras para favorecer Flávio Bolsonaro. Logo após o anúncio do nome, perfis de esquerda já denunciam a ação como um novo movimento para tentar impedir uma nova vitória de Lula na eleição.
Lula pode vetar o novo embaixador dos EUA
O nome de Perez ainda precisa passar por duas barreiras antes de ser confirmado. Primeiro, seu nome tem que ser aprovado pelo Senado dos EUA, o que deverá ocorrer sem problemas. Depois vem o desafio mais difícil: sua indicação precisa ser aceita por Lula, que tem a prerrogativa diplomática e constitucional de vetá-la. O presidente brasileiro pode também arrastar a decisão para até depois do processo eleitoral.
Com Veja





