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Fala de Lula sobre garis é tirada de contexto, aponta Estadão Verifica

Publicações nas redes sociais recortam declaração do presidente e candidato à reeleição e dão a entender que ele teria atacado a profissão de gari. Checagem do Estadão Verifica concluiu que a fala foi retirada de contexto.

Circulam nas redes sociais publicações afirmando que o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria atacado os garis ao classificar o trabalho de coleta de lixo como uma profissão “pobre” e que “não dá orgulho”.

A informação, porém, está fora de contexto, segundo apuração do Estadão Verifica. As postagens reproduzem apenas um trecho da declaração de Lula e omitem a sequência da fala, na qual o presidente destaca a importância dos trabalhadores responsáveis pela limpeza das ruas e critica a invisibilidade social enfrentada pela população mais pobre.

A declaração foi feita no sábado, dia 29, durante um ato em Belo Horizonte (MG) voltado à participação feminina na política.

O trecho que passou a circular nas redes diz:

“Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar.”

Isoladamente, a declaração pode dar a impressão de que Lula estaria depreciando os garis ou considerando a profissão inferior. No entanto, o trecho seguinte, que não aparece nas publicações, muda o contexto da fala.

Na sequência, Lula afirma que os trabalhadores da limpeza urbana exercem uma função importante e questiona a maneira como pessoas pobres são tratadas pela sociedade.

“Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles. Que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar.”

Em seguida, o presidente relaciona o trabalho dos garis à invisibilidade social da pobreza:

“A gente começa a mudar, porque o pobre é tratado como se fosse invisível. As pessoas não enxergam a maioria dos pobres.”

Qual era o contexto da fala?

De acordo com o Estadão Verifica, Lula estava falando sobre a importância da educação como instrumento para ampliar oportunidades e melhorar as condições de vida da população.

No restante do discurso, o presidente argumentou que o acesso aos estudos pode contribuir para melhorar o emprego, os salários e a relação das pessoas com a sociedade.

Lula também defendeu que o Estado deve garantir igualdade de oportunidades, independentemente da origem social. Como exemplo, afirmou que uma filha de empregada doméstica deveria ter condições de disputar uma vaga em uma universidade nas mesmas condições que a filha de sua patroa.

A declaração completa pode ser conferida no vídeo do evento, a partir de aproximadamente 3h42min35s.

O que concluiu o Estadão Verifica?

A checagem concluiu que é enganoso afirmar que Lula simplesmente atacou os garis ou a profissão. A fala reproduzida nas redes é verdadeira, mas foi apresentada de maneira incompleta.

O recorte elimina justamente a parte em que Lula explica seu argumento: ele menciona a profissão para discutir a desigualdade social, a falta de oportunidades educacionais e a invisibilidade dos trabalhadores pobres.

Isso não significa que o trecho original não possa ser considerado controverso ou criticado. A declaração de Lula realmente contém a expressão de que a profissão seria “muito pobre” e que não daria orgulho. O ponto da checagem é que o significado atribuído às palavras nas publicações não corresponde ao contexto completo da declaração.

Como identificar conteúdos fora de contexto?

Casos como esse são comuns nas redes sociais. Declarações de políticos e outras figuras públicas podem ser recortadas para produzir uma interpretação diferente daquela apresentada na fala completa.

Por isso, diante de um vídeo ou frase polêmica, é recomendável procurar a declaração integral, verificar quando e onde ela foi feita e observar o que foi dito antes e depois do trecho compartilhado.

No caso da fala de Lula sobre os garis, foi justamente a análise do contexto completo que levou o Estadão Verifica a classificar as publicações como fora de contexto.

Estadão

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