Levantamento mostra que 62% reprovam a saída de Flávio Bolsonaro para os EUA e 60% avaliam negativamente sua postura após a derrota eleitoral
A reação de Flávio Bolsonaro (PL) depois da derrota na eleição presidencial enfrenta a reprovação da maioria dos brasileiros e expõe uma divisão dentro da direita. A primeira pesquisa da Quaest pós-eleição mostra que 62% consideram errada a decisão do senador de deixar o país rumo aos Estados Unidos, enquanto 60% avaliam que ele agiu mal diante do resultado das urnas.
O levantamento, divulgado neste domingo, 8, também revela que a maior parte dos entrevistados associa a viagem à tentativa de escapar da Justiça, e não a uma estratégia de proteção contra perseguição política.
O episódio teve ampla repercussão entre os eleitores: 89% afirmam ter tomado conhecimento da ida de Flávio para os Estados Unidos, o maior índice de conhecimento entre os acontecimentos políticos apresentados pela pesquisa. O percentual supera o registrado para o escândalo do Banco Master (75%), o caso Moraes, Mendonça e Vorcaro (73%) e a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022 (53%).
O levantamento mostra que a reprovação à conduta do senador ultrapassa os limites da oposição ao bolsonarismo. Entre os eleitores identificados com a direita, mas que não se consideram bolsonaristas, há praticamente um empate entre os que consideram correta a saída do país, 46%, e os que a classificam como errada, 45%. É o grupo em que a avaliação sobre a decisão aparece mais dividida.
Por que a maioria considera errada a viagem de Flávio?
Para 56% dos brasileiros, Flávio deixou o país para fugir da Justiça. Outros 35% acreditam que o senador buscou se proteger de uma perseguição política. Os demais 9% não souberam ou preferiram não responder.
A interpretação predominante também aparece entre diferentes grupos políticos, embora com diferenças importantes de intensidade. Entre lulistas, 82% associam a viagem à tentativa de escapar da Justiça, percentual que chega a 91% na esquerda não lulista. Entre os independentes, a avaliação é mais dividida: 53% apontam a fuga da Justiça, enquanto 32% mencionam a proteção contra perseguição política.
Na direita não bolsonarista, a segunda interpretação prevalece, com 51% das menções, contra 42% que veem uma tentativa de fugir da Justiça. Entre os bolsonaristas, por outro lado, 93% acreditam que o senador buscou se proteger de perseguição política.
Como a direita avalia a decisão do senador?
A divisão fica evidente quando os entrevistados são questionados diretamente sobre a saída de Flávio do Brasil. No conjunto da população, 62% consideram a decisão errada, 29% a classificam como correta e 9% não souberam responder.
Entre os bolsonaristas, a avaliação é praticamente oposta à média nacional: 90% consideram correta a atitude do senador, enquanto apenas 5% a classificam como errada. Na direita não bolsonarista, entretanto, os dois lados aparecem em situação de empate numérico.
O mesmo levantamento mostra que a interpretação sobre a viagem não se restringe a uma diferença de opinião sobre a estratégia política do senador. Ela também expõe visões distintas sobre a existência de uma suposta perseguição política. Na direita não bolsonarista, 51% acreditam nessa hipótese, enquanto 42% associam a saída do país à tentativa de escapar da Justiça.
O que os brasileiros pensam sobre a reação de Flávio à derrota?
A avaliação negativa também aparece quando a pesquisa pergunta como Flávio se comportou diante do resultado eleitoral. Para 60% dos entrevistados, o senador agiu mal. Apenas 25% consideram que ele teve uma boa postura, enquanto 9% avaliam que não agiu bem nem mal e 6% não responderam.
O resultado é mais desfavorável do que o registrado em dezembro de 2022, quando Jair Bolsonaro enfrentou uma pergunta semelhante depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, 45% consideravam que o então presidente havia agido mal, e 41% avaliavam positivamente sua conduta. Agora, a avaliação negativa sobre Flávio chega a 60%, enquanto a positiva fica em 25%.
A reprovação também aparece quando os entrevistados são questionados especificamente sobre o questionamento do resultado das urnas. Para 59%, Flávio não deveria ter contestado a eleição. Outros 34% aprovam a atitude, e 7% não souberam responder.
Nesse indicador, há estabilidade em relação ao comportamento de Jair Bolsonaro em 2022. Naquele ano, 61% desaprovavam o questionamento do resultado eleitoral, contra 34% que o aprovavam.
O questionamento das urnas continua restrito a uma minoria?
A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre a lisura das eleições. Para 61% dos entrevistados, a disputa foi limpa e justa. Outros 30% acreditam que houve fraude, enquanto 9% não souberam responder.
O quadro é semelhante ao registrado em dezembro de 2022, quando 64% consideravam a eleição limpa e justa, e 29% defendiam a existência de fraude. A proporção dos que desconfiam do resultado, portanto, permanece próxima à observada há quatro anos.
Entre os eleitores de Flávio, a percepção é diferente da média nacional: 64% consideram que a eleição foi fraudada, enquanto 28% avaliam que a disputa foi limpa e justa.
Com Veja





