A China emitiu comunicado neste domingo (4) em que pede que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após ataques militares de grande escala contra Caracas e outras regiões do país e a captura do líder venezuelano por forças americanas.
Em comunicado, o governo chinês afirmou que a segurança de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, deve ser prioridade e instou Washington a “parar de derrubar o governo da Venezuela”. Pequim classificou a operação como uma “clara violação do direito internacional”.
Foi a segunda manifestação oficial da China desde sábado, quando o presidente Donald Trump afirmou que Maduro e sua mulher haviam sido levados para fora do país. No dia anterior, Pequim já havia acusado os EUA de “atos hegemônicos” e de “uso flagrante da força”, pedindo respeito à Carta das Nações Unidas.
A China é hoje o maior comprador individual de petróleo venezuelano, embora o país represente apenas 4% a 5% das importações totais chinesas. Além da energia, Pequim ampliou investimentos e comércio na América Latina nos últimos anos, o que aumenta sua atenção a mudanças políticas na região.
A reação chinesa se soma à de outros atores globais. A Rússia condenou o que chamou de “agressão armada” dos EUA e também pediu a libertação de Maduro. Já aliados ocidentais adotaram posições mais cautelosas.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, defendeu uma “transição pacífica e democrática” na Venezuela, mas ressaltou a necessidade de respeitar o direito internacional. A Coreia do Sul pediu a redução das tensões e diálogo para estabilizar a região.
Na América Latina, a resposta foi dividida. Governos de esquerda, como os do Brasil, Colômbia, Chile e México, criticaram a derrubada de Maduro. Países governados pela direita, como Argentina e Equador, reagiram de forma mais favorável à ação americana, segundo levantamento da Reuters.
A Venezuela vive crescente isolamento internacional desde a eleição contestada de 2024. Ainda assim, China e Rússia mantêm laços econômicos e estratégicos com Caracas, assim como o Irã, em uma aliança informal baseada na oposição às políticas dos Estados Unidos.
Para analistas ouvidos por veículos como Financial Times e The Guardian, a crise reacende temores de uma escalada militar e de um retorno explícito à lógica da Doutrina Monroe, com impactos diretos na disputa de influência entre Washington e Pequim na América Latina.





