A cidade de São José do Bonfim, localizada no Sertão da Paraíba, é a terceira do país com o maior percentual de pessoas com obesidade. De acordo com a pesquisa Vigitel, conduzida pelo Ministério da Saúde, o município paraibano tem um índice de 61,63% de obesidade entre adultos, ficando atrás apenas de Herculândia (SP), que conta com 64,71% de obesidade entre adultos, e Lupércio (SP) – 66,67% de obesidade entre adultos.
A Vigitel é um inquérito que ouve apenas as capitais brasileiras, mas dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), baseados nos atendimentos na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), mostram um cenário ainda mais preocupante. De acordo com os números, 36,3% dos brasileiros adultos atendidos no ano passado tinham obesidade, e 70,9% estavam acima do peso.
Os números apontam que a prevalência da obesidade no Brasil saltou 118% no Brasil de 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no país (25,7%). Considerando o sobrepeso, quando o índice de massa corporal (IMC) ultrapassa 25 kg/m², a alta foi de 46,9%, e o quadro agora acomete a maioria dos brasileiros (62,6%).
Especialistas ouvidos pelo O Globo explicam que a obesidade é uma doença multifatorial, crônica e recidivante. Isso quer dizer que ela tem diversas causas, não tem cura e costuma retornar. Entre os fatores que ajudam a explicar a alta no país, está o avanço dos ultraprocessados no cardápio dos brasileiros.
“São mudanças no padrão alimentar da população, caracterizadas principalmente por uma redução do consumo de alimentos in natura, como arroz, feijão, frutas, legumes e verduras, e suas preparações culinárias, e um aumento do conjunto de ultraprocessados, como bolachas, salgadinhos e refeições prontas”, diz Maria Laura Louzada, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da universidade.
Ela conta que os ultraprocessados, que passam por diversos processos industriais, com adição de químicos e aditivos, e têm baixíssimo valor nutricional, favorecem o consumo excessivo de calorias por características como a alta densidade energética e a hiperpalatabilidade, além de interferirem nos mecanismos biológicos de saciedade do corpo.
Veja o ranking abaixo:
- Lupércio (SP) – 66,67% de obesidade entre adultos
- Herculândia (SP) – 64,71% de obesidade entre adultos
- São José do Bonfim (PB) – 61,63% de obesidade entre adultos
- Marquês de Souza (RS) – 60,53% de obesidade entre adultos
- Riversul (SP) – 60,41% de obesidade entre adultos
- Planalto Alegre (SC) – 60,27% de obesidade entre adultos
- Riozinho (RS) – 60% de obesidade entre adultos
- Rancho Alegre (PR) – 59,65% de obesidade entre adultos
- Quinta do Sol (PR) – 59,62% de obesidade entre adultos
- Jaboticaba (RS) – 59,34% de obesidade entre adultos





