O grupo verde tem se esfacelado, após o líder político de Santa Cruz do Capibaribe, Allan Carneiro pôr fim à carreira política no último dia 24 de janeiro, o vereador Emanuel Ramos anunciou, também, a sua saída do grupo Verde, neste último domingo (29).
O vereador surpreendeu os seus seguidores ao publicar uma nota em forma de vídeo, anunciando sua saída do grupo Verde, pelo qual foi eleito em 2020. De acordo com o próprio Emanuel Ramos, ele vinha passando por momentos conturbados no grupo, porém internamente já se era esperado a saída de Emanuel.
Dentre os quatro fatores que fizeram com que o vereador deixasse o grupo, a saída de Allan Carneiro da vida pública foi uma delas. Os outros motivos citados por Emanuel Ramos, são o fato de não compactuar com tudo que ocorreu na eleição da câmara, além da existência de uma cobrança interna para que o vereador tivesse uma postura de oposição austera e as exclusões nos espaços e nas decisões.
Apesar da saída do grupo, o vereador diz que não deixa de externar gratidão pelos bons momentos que foram proporcionados. Emanuel ainda narrou momentos difíceis na eleição da mesa diretora, e disse que não tinhas mais clima para continuar.
Confira a nota:
Os últimos dias foram bastante conturbados por conta de diversos acontecimentos. Em momentos assim temos que ter coragem para tomarmos decisões que muitas vezes são difíceis. Apesar de tentar ao máximo contornar, vejo que, infelizmente, minha permanência no grupo em que estive até o momento se tornou insustentável. De fato busquei todas as formas para permanecer, cheguei a participar de reuniões de reconstrução mesmo após o processo, mas entendi que não tenho alternativas diante de tudo que tem se passado. Já não existe mais clima para a permanência.
Em primeiro lugar, pela coerência, não é possível para mim compactuar com tudo que ocorreu na eleição da câmara. Acredito que a referida eleição desmoralizou o grupo e sou totalmente contrário a essa forma de fazer política. Ao contrário do que muitos podem pensar, isso não faz referência a um desejo pessoal, até porque no início eu defendia o nome do vereador Gilson Julião, só propus minha candidatura quando a dele se tornou inviável por resistência do seu próprio grupo. Não foi pelo que aconteceu, mas por como aconteceu.
Em segundo lugar, pelas críticas constantes à forma que conduzo meu mandato. Sempre existiu uma cobrança interna para que eu tivesse uma postura de oposição austera, o que vai de encontro a minha personalidade e ao que acredito. Creio que a política se faz com diálogo e equilíbrio, já fiz projetos com vereadores de alas distintas que beneficiam a população e ,através dessa postura, consegui grandes ações para o município. Não mudarei minha postura para agradar apenas a um grupo político, sempre entendi que meu compromisso é com o povo Santa Cruz.
Continuarei sendo guiado pelas mesmas ideias que preguei na campanha e tenho seguido no mandato, o zelo com o dinheiro público, a forma dinâmica e eficiente de fazer política, a responsabilidade e o estudo aprofundado nas votações, a elaboração de projetos propositivos e a postura diferente.
Estudarei nos próximos dias os meus futuros passos, ouvindo aqueles que me deram a oportunidade de chegar até aqui e pedindo a Deus graça e discernimento. Tenho um compromisso enorme com o meu mandato, meu eleitor e por nossa querida Santa Cruz do Capibaribe. Aqui seguirei trabalhando incansavelmente para que a má política dê espaço a boa política e para que a tribuna da câmara seja uma verdadeira arena de ideias.
Em terceiro lugar, pelas exclusões que tenho sofrido nos espaços e nas decisões. A gota d’água foi no dia 25 deste mês onde houve uma reunião que definiu as lideranças do referido grupo. Além de não participar da reunião, fui escanteado dos espaços que poderia ocupar. Fui líder da bancada durante os dois últimos anos e, mesmo assim, na última reunião, fiquei sabendo com surpresa, sem que me fosse sequer consultado, que a liderança da bancada ficaria com o vereador Capilé e a liderança do partido que ocupo, com a vereadora Nega. Além de ser excluído da ocupação desses espaços, sequer tive direito de decidir ou opinar sobre questões tão pertinentes.
O quarto fator, é a saída da até então liderança, Allan Carneiro. Tive em Allan todos esses anos um líder e uma referência, e ainda é alguém por quem nutro respeito e admiração. Contudo, com sua saída da vida pública, outras pessoas tem se colocado nesse lugar, as quais não sinto o mesmo conforto para me submeter e seguir.
Também tornou-se inviável assumir a liderança do grupo, visto a resistência interna que tenho sofrido dentro do grupo desde a saída de Allan por boa parte dos membros.
Mesmo com essas insatisfações, retiro-me, mas não deixo de externar gratidão ao grupo por bons momentos que me proporcionou. Ali fiz amigos, aprendi muito, chorei e sorri. Tenho respeito pelos membros, ainda que alguns não tenham tido por mim. Existe ali pessoas bem intencionadas e outras nem tanto, desejo que aquelas com boa intenção sejam munidas de discernimento.
Blog do Alisson Nascimento





