Após semanas de indefinição, senador anunciou parlamentar do PL e fechou composição puro sangue, assim como demais siglas da direita
O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira, 5, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na chapa que disputará a Presidência da República. Após semanas de indefinição, o filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro fechou uma chapa puro-sangue, assim como os demais candidatos da direita. O anúncio foi feito durante uma reunião do PL em Brasília, transmitida pelas redes sociais do senador.
Flávio fez o anúncio ladeado por mulheres que foram cotadas para serem sua vice — a senadora Tereza Cristina, do PP, e Daniella Marques, economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), filiada ao Republicanos. A dificuldade do senador de formar palanque com as siglas do Centrão impediu que esses nomes fossem levados adiante. União Brasil, PP, Republicanos e Podemos optaram por permanecer neutros no primeiro turno das eleições.
A escolha de Gaspar como vice mira o eleitorado nordestino, onde Lula tem maioria, e a pauta da segurança pública, que tem despontado nas pesquisas como principal preocupação dos brasileiros. O vice de Flávio é promotor de Justiça de carreira, chefiou o MP alagoano e foi secretário da Segurança Pública de Alagoas entre 2015 e 2016. “É alguém que representa o Nordeste, de fato, porque vamos levar saúde, infraestrutura para o Nordeste, com essa pessoa ao meu lado”, disse Flávio.
Outro tema importante que sua escolha sinaliza para a campanha é o da corrupção. Como relator da CPMI do INSS, ele pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O filho do presidente é suspeito de atuar como lobista para empresas no governo federal, inclusive uma ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, principal investigado no escândalo das fraudes na Previdência.
Durante o seu discurso, Flávio sinalizou que o discurso contra a corrupção e as críticas ao cenário da segurança pública serão centrais em sua campanha. “É aquele vice que não volta para a cena do crime e dá a mão para o criminoso”, disse o senador. “Teremos a coragem de enfrentar juntos, presidente Flávio, a corrupção, o crime organizado, essa economia em frangalhos — culpa do que Lula e equipe têm feito com o país, da falta de oportunidades, da fome. Vamos sair do discurso para enfrentar as mazelas da nação. Sou o seu soldado, estarei na retaguarda, sempre leal e pronto para servir”, afirmou Gaspar.
O candidato a vice falou ainda em fazer do Brasil um país “decente”. “Vossa Excelência (Flávio) escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho e honrada. Estou aqui de cabeça erguida para dizer que, ao seu lado, marcharei para transformarmos o Brasil em um lugar justo e decente. Sinto uma falta grande hoje de duas pessoas, do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro”, disse Gaspar sobre a escolha de seu nome.
O deputado afirmou que foi convidado para a chapa pelo senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha. “O Brasil estaria muito melhor servido com as senhoras, mas quis Deus e o destino que este momento trouxesse um soldado do Nordeste”, disse. Valdemar Costa Neto, cacique do PL, disse nesta quarta que o nome de Gaspar estava cotado há pelo menos seis meses.
Direita fecha com chapas puras
A definição do vice de Flávio completa um quadro em que os candidatos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiram fechar o apoio de outros partidos e optaram por soluções caseiras para fechar as suas chapas. Antes do Zero Um, já haviam anunciado chapas puro-sangue:
Ronaldo Caiado (PSD), com Gilberto Kassab como candidato a vice;
Romeu Zema (Novo), com Eduardo Girão;
Renan Santos (Missão), com Aroldo Medina.
Com União Brasil, PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB optando pela neutralidade neste primeiro turno, as opções para uma composição ficaram restritas. Apenas Lula, com Geraldo Alckmin, do PSB, de vice, tem alianças com outras siglas mais próximas do centro.





