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Hugo Motta espera retribuição de Lula na Paraíba, mas PT dá apoio a adversário

Não é confortável para o presidente atrair a antipatia do presidente do TCU; pior ainda é ter o presidente da Câmara como adversário

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou recentemente à mídia paraibana que Lula tem uma “gratidão imensa” ao ex-governador João Azevedo (PSB) e ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Ambos serão candidatos ao Senado nas eleições deste ano. Quem também vai para a disputa, na mesma chapa de Azevêdo, é o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, que quer o apoio formal do petista a seu genitor. 

“Não significa que (Lula) não tenha respeito e não tenha uma posição de cordialidade política em relação a Nabor, até pela relação com o presidente Hugo Motta, que tem sido um grande parceiro do presidente Lula”, ponderou Edinho. “Mas ele tem deixado muito claro e evidenciado que ele tem lealdade imensa ao João Azevedo e lealdade muito grande por tudo que ele construiu com Veneziano”, concluiu.

A fala do timoneiro do Partido dos Trabalhadores indica uma tentativa de reafirmar o apoio aos aliados históricos — que são, também, os dois primeiros colocados nas pesquisas de opinião divulgadas até o momento — sem melindrar Hugo Motta. Vai ser difícil se equilibrar nessa corda bamba. 

Realçar um adversário político da família do deputado com substantivos como “lealdade” e “gratidão” e relegar a seu pai a uma relação de “cordialidade” passam longe da retribuição explícita que o presidente da Câmara espera de Lula por gestos como a aprovação do petista Odair Cunha para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) com mais de 300 votos e o avanço da PEC que acaba com a escala de trabalho 6 por 1.

Se declarar apoio a Nabor, por outro lado, Lula já foi avisado que “desagradará muito” o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, irmão de Veneziano. Não é confortável para nenhum mandatário incensar a antipatia do presidente do tribunal de contas. A Corte, entre outras atribuições, é responsável por fiscalizar as obras e as contas do governo. Pior ainda é ter o presidente da Câmara como adversário. É lá que projetos importantes são aprovados ou não e também onde nascem os processos de impeachment. Dilma Rousseff sabe bem o que isso significa.

Com Veja

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