Pesquisar

O que fazer no Cariri paraibano, por Juliette

Em um roteiro que passa por paisagens naturais, saberes ancestrais e histórias de resistência, Juliette dar dicas para quem quer conhecer o Cariri paraibano por dentro

Fora dos roteiros óbvios, o Cariri paraibano se revela nos detalhes: nos lajedos monumentais, no artesanato feito à mão e nas histórias de quem transformou o sertão em arte. Foi a partir desse olhar atento que Juliette decidiu revisitar a região onde cresceu — e dividir com os leitores da Vogue as dicas de quem conhece o lugar por dentro. “Fui turista na minha própria terra e foi incrível poder observar de outro ângulo o lugar que eu cresci”, conta a cantora, que descreve a viagem como um reencontro consigo mesma. “Nessa viagem eu senti que pude me enxergar de verdade, em cada sabor, cheiro, paisagem e som. Eu reconheci quem eu sou e de onde eu venho.” No Cariri, resume, “a arte atravessa tudo”.

Entre os momentos que mais a marcaram estão o trabalho manual das mulheres do Marinho — um saber passado de geração em geração —, os lajedos, que ela define como “mágicos” e cheios de uma energia difícil de explicar, e a presença simbólica de Zabé da Loca. “Uma mulher que sempre me inspirou”, diz Juliette sobre a tocadora de pífano que levou o som do sertão para o Brasil e o mundo, transformando resistência em música.

A seguir, a cantora compartilha seus endereços, paisagens e encontros essenciais para quem quer viver o Cariri paraibano de forma sensível, afetiva e longe dos clichês.

10 dicas pelo Cariri:

Comece por Zabé da Loca

Memorial Zabé da Loca — Foto: Kant Rafael
Memorial Zabé da Loca — Foto: Kant Rafael

O Memorial Zabé da Loca é um dos pontos mais potentes do roteiro. Visite e conheça a história dessa mulher que fez da música um ato de coragem. Tocadora de pífano, Zabé transformou a própria vida em arte, atravessou fronteiras e levou o som do sertão para o mundo. Ela materializa garra, resiliência, liberdade e traduz, com força e verdade, a potência criativa da mulher nordestina.

Participe da cultura local

Participe da cultura local — Foto: Kant Rafael
Participe da cultura local — Foto: Kant Rafael

No Cariri, a experiência é coletiva. Cultura é troca. Toque triângulo, cante junto, bata palma. A dica é essa: entre na roda. Celebre com música e encontros verdadeiros como forró pé de serra, fogueira e conversa sem pressa. À noite, o Cariri se revela em encontros simples e cheios de significado. Aqui, a cultura não se assiste à distância. Ela acontece no encontro, no gesto e na partilha. Viva o Cariri.

Conheça o trabalho das mulheres do Marinho

Conheça o trabalho das mulheres do Marinho — Foto: Kant Rafael
Conheça o trabalho das mulheres do Marinho — Foto: Kant Rafael

Os trabalhos manuais do Cariri carregam memória, sustento e identidade. Nas agulhas de crochê do Marinho, nos fios do tear manual do Boqueirão e nas rendas renascença de Monteiro, essas mulheres mantêm viva uma tradição que resiste, se transforma e atravessa gerações. É um saber passado de geração em geração, que preserva histórias, fortalece a cultura do território e constrói autonomia por meio do fazer artesanal.

Visite os lajedos com presença e respeito

Visite os lajedos com presença e respeito  — Foto: Kant Rafael
Visite os lajedos com presença e respeito — Foto: Kant Rafael

Os lajedos do Cariri Paraibano são espaços de uma energia difícil de explicar. O Lajedo do Pai Mateus, em especial, é um lugar onde o tempo parece desacelerar e o silêncio ganha outra dimensão. Ao lado do Lajedo do Marinho e da Ilumiara Jaúna, as formações de pedra, a imensidão e a quietude revelam a força que nasce da terra. São lugares que pedem presença, respeito e escuta e que conectam a gente com nossa essência, o silêncio e o que realmente é essencial.

Entre no universo de Ariano Suassuna em Taperoá

Entre no universo de Ariano Suassuna em Taperoá Visitar Taperoá, a Casa Museu Ariano Suassuna e a Casa Forte da Malhada é entender o Cariri como um dos berços do pensamento, da literatura e da cultura brasileira. Estar ali revela um território criativo, simbólico e profundamente conectado à identidade do país. Em Taperoá, tive ainda a oportunidade de conversar com Manuel Dantas Suassuna, filho de Ariano, o que tornou a experiência ainda mais especial. Estar no território onde tudo nasceu ajuda a compreender como a obra de Ariano segue viva na paisagem, na fala e na cultura do Cariri.

Conheça Cabaceiras, a Roliúde Nordestina

Conheça Cabaceiras, a Roliúde Nordestina — Foto: Kant Rafael
Conheça Cabaceiras, a Roliúde Nordestina — Foto: Kant Rafael

Cabaceiras é um dos lugares onde o cinema encontrou o sertão. Conhecida como a Roliúde Nordestina, a cidade foi cenário de filmes e séries que marcaram o imaginário brasileiro, como O Auto da Compadecida. As paisagens do município, marcadas por lajedos e formações rochosas, tornaram a cidade uma referência para produções audiovisuais no Cariri Paraibano. Transformaram o território em palco, revelando histórias que misturam ficção e vida real.

Prove a comida como parte da cultura

Prove a comida como parte da cultura  — Foto: Kant Rafael
Prove a comida como parte da cultura — Foto: Kant Rafael

Do cuscuz às comidas de milho, do leite de cabra aos queijos artesanais, iogurtes, requeijões e doces, cada sabor no Cariri carrega uma história. No Memorial do Cuscuz, em Ingá, a culinária se revela como patrimônio vivo, feito de território, memória e identidade. A comida aqui conta tantas histórias quanto qualquer museu.

Observe como a arte atravessa tudo

Na música, no artesanato, na fala e na paisagem, a arte está em todo lugar. No Cariri, a resiliência se transforma em criação, e a arte atravessa tudo, mesmo nos ambientes mais diversos.

Valorize quem vive e sustenta a cultura local

Valorize quem vive e sustenta a cultura local  — Foto: Kant Rafael
Valorize quem vive e sustenta a cultura local — Foto: Kant Rafael

Converse com mestres da cultura popular e escute suas histórias e reconheça quem mantém esse território pulsando. O Cariri se revela na voz e no fazer de quem o constrói todos os dias. Essa não é uma viagem que acaba quando o roteiro termina. O Cariri fica na memória, no corpo e na forma de enxergar o mundo. E, se quiser levar um pedaço físico, viva o artesanato como experiência, não apenas como produto. Observe o processo, converse com quem produz e entenda o valor do fazer manual como forma de resistência cultural.

Vá com olhar aberto e disposição para se enxergar no caminho

Vá com olhar aberto e disposição para se enxergar no caminho — Foto: Kant Rafael
Vá com olhar aberto e disposição para se enxergar no caminho — Foto: Kant Rafael

Fazer essa viagem pelo Cariri me ensinou que é uma experiência de dentro pra fora. Mesmo para quem não nasceu ali, o Cariri convida a olhar com mais atenção e a se reconhecer nos sabores, nos cheiros, nas paisagens e nos sons.

Com Vogue

COMPARTILHE NOSSAS NOTÍCIAS

Facebook
WhatsApp
Telegram

Outras notícias...