Ao determinar a transferência de Jair Bolsonaro, nesta quinta, para o presídio da Papuda, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu vários recados ao bolsonarismo e aos parentes do ex-presidente que criticaram sua estadia na Polícia Federal.
Na decisão, o ministro detalha as agruras do sistema carcerário, como superlotação e falta de estrutura, para demonstrar que Jair Bolsonaro estava em condição de “privilégio” por ser ex-presidente da República e por desfrutar de sala de Estado na PF. O ministro do STF inclusive lista as “mordomias” de Bolsonaro na prisão para, na sequência, criticar a postura da família e de aliados de Bolsonaro que criticaram nas últimas semanas as instalações.
Para o ministro, os aliados do ex-presidente têm empreendido “mentirosa e lamentavelmente” uma campanha para deslegitimar o “regular e legal” cumprimento de pena de Bolsonaro. Ele citou reclamações de parlamentares como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Damares Alves (Republicanos-DF) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) relativas ao tamanho da cela na PF, ao ar condicionado, aos horários de visitas e à origem da comida que era entregue ao ex-presidente.
Ironizou, ainda, Flávio e aliados por ignorarem “por completo” a real situação do sistema carcerário brasileiro, já que, segundo o ministro, Bolsonaro tem recebido no cárcere um tratamento muito diferente daquele oferecido aos outros 384.586 encarcerados no país.
“A Defesa criticou, ainda, as ‘dimensões da Sala’ (12 metros quadrados), em que pese ser exclusiva para JAIR MESSIAS BOLSONARO, não ter superlotação, ter banheiro exclusivo, TV, frigobar e ar-condicionado, e ter o DOBRO DO TAMANHO previsto legalmente”, diz trecho do documento.




