Marília Arraes repete gesto de Humberto Costa para tentar se fortalecer ainda mais na disputa eleitoral
A ex-deputada federal Marília Arraes (PDT-PE), pré-candidata ao Senado por Pernambuco na chapa lulista, convidou o ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (MDB) para ser seu suplente em caso de vitória na disputa eleitoral. O gesto chama a atenção porque Coelho foi líder do governo Bolsonaro no Senado de 2019 a 2021.
A articulação, embora heterodoxa, repete uma ação semelhante do senador Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição na mesma chapa e também convidou um ex-aliado de Bolsonaro para sua suplência: será o ex-deputado federal Luciano Bivar (MDB), que era o presidente do PSL, partido que levou Jair Bolsonaro à vitória na eleição presidencial de 2018.
O convite de Marília, que lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto para Senado por Pernambuco, foi feito de maneira estratégica, visto que a família Coelho é uma importante força política no Sertão do estado, enquanto o eleitorado da ex-deputada se concentra na capital e na região metropolitana. Marília não perdeu tempo após o ex-prefeito de Petrolina e filho de Fernando Bezerra Coelho, Miguel Coelho (União-PE), anunciar que retirava a candidatura ao Senado após ter sido preterido pelos dois maiores grupos políticos do estado — primeiro o da chapa lulista, ligado ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), Humberto e Marília; segundo, o da atual governadora, Raquel Lyra (PSD).
Segundo informado à reportagem, Marília fez o convite para a família Coelho de forma ampla, deixando que o grupo decida, caso aceite, quem irá ocupar o espaço. No entanto, é improvável que Miguel ou seus irmãos, o deputado estadual Antônio Coelho (União) e o federal Fernando Filho (União), assumam o posto, visto que a federação União-PP deve apoiar a reeleição de Raquel Lyra, grupo governista, enquanto Marília está na oposição.
Questionada sobre o convite em entrevista coletiva de imprensa, Marília, que costuma relembrar seu avô, o ex-governador Miguel Arraes, em discursos políticos, disse que ele era um grande defensor dos trabalhadores rurais, mas que, nem por isso, deixou de se aliar a usineiros e banqueiros pernambucanos durante processos eleitorais.
Antes de ter sido líder do governo Bolsonaro, Fernando Bezerra Coelho foi ministro da Integração da presidente Dilma Rousseff (PT). Ainda assim, sua possível entrada na chapa complica a situação de João Campos em Pernambuco, que tenta se mostrar como único candidato totalmente alinhado a Lula, mas que já chegou a ter apoio também de pessoas do PL.
Distante da polarização nacional, a eleição pernambucana deste ano tem sido organizada em torno da imagem e dos apoios de Lula, que é o maior cabo eleitoral do estado e mantém boa relação também com Raquel Lyra.
Com Veja





