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Pizzaria investigada por suspeita de intoxicação na Paraíba: entenda laudo de alimentos e o caso

Uma mulher morreu e mais de 100 pessoas deram entrada em unidades de saúde na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, com sintomas de intoxicação alimentar, após comerem em uma pizzaria no município. As causas desta situação são investigadas pela Polícia Civil, Ministério Público da Paraíba (MPPB) e também pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária do estado (Agevisa-PB).

A análise de exames do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PB) e o procedimento mostrou alguns resultados sobre alimentos do estabelecimento comercial.

A reportagem separou as principais informações sobre o caso desde o início dos relatos de sintomas por parte de clientes da pizzaria, no domingo (15). Veja abaixo.

Exames em comidas da pizzaria

A reportagem informou, foram analisados sete itens alimentares, incluindo pizzas, molhos e carnes. Seis apresentaram resultado positivo para a presença das bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Nenhuma das amostras continha Salmonella.

A principal suspeita, com base nos achados, é que a contaminação tenha ocorrido por manipulação inadequada dos alimentos, possivelmente por uma pessoa com algum ferimento nas mãos, o que facilitaria a proliferação da bactéria Staphylococcus aureus.

O surto de infecção alimentar, ocorrido em meados de março, causou a morte da servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos, e fez com que dezenas de outras pessoas apresentassem sintomas como náuseas, vômitos e dores abdominais.

Os resultados dos exames já foram encaminhados para a Vigilância Sanitária e para o Instituto de Polícia Científica, que darão seguimento às investigações sobre o caso.

O secretário de saúde da Paraíba, Ari Reis, afirmou que “ainda não se pode atribuir a alta concentração de bactérias como causa do óbito”. Segundo ele, “as bactérias identificadas em alta concentração têm o potencial de causar sintomas agudos, conforme os pacientes apresentaram”, evidenciando que “os alimentos foram mal manipulados”.

“A única afirmação que podemos fazer nesse momento é que há evidências científicas de que há uma má manipulação dos alimentos na pizzaria. Não podemos atribuir a essa concentração elevada de bactérias como causa do óbito, porque precisamos que as amostras biológicas sejam analisadas para verificar toxinas dessas bactérias no sangue, principalmente na amostra desse óbito”, explicou o secretário.

Investigações

Três órgãos investigam oficialmente o caso em Pombal. A Polícia Civil investiga no âmbito criminal, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária do estado (Agevisa-PB) é responsável por análises relativas à saúde no caso. Já o Ministério Público da Paraíba (MPPB) tem um procedimento administrativo em aberto que requereu dados das outras duas instituições para avaliar medidas.

No que diz respeito ao inquérito policial, dois crimes são apurados: venda de alimento impróprio para o consumo e homicídio culposo (quando não há intenção), pela morte da cliente. Foram coletadas amostras do corpo, alimentos e pizzas para exame toxicológico.

A Polícia Civil considera improvável a hipótese de envenenamento intencional no caso da pizzaria.

Em um vídeo publicado nas redes sociais da pizzaria, a advogada do dono do estabelecimento informou que não teve acesso aos detalhes mais aprofundados sobre o laudo e que permanece disponível para investigações, além de permanecerem “colaborativos”. Ela também ressaltou ser prematuro tirar conclusões do laudo.

Insetos e outros problemas foram encontrados na pizzaria

O estabelecimento foi interditado na segunda-feira (16) pela Vigilância Sanitária de Pombal. Na manhã da terça-feira (17), uma equipe da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) foi até Pombal para realizar uma nova vistoria no local.

Na vistoria, a Agevisa encontrou problemas como insetos, falta de documentação obrigatória, alimentos mal armazenados, condição térmica inadequada e outras irregularidades.

Segundo o inspetor sanitário da Agevisa, Sérgio Freitas, o local apresentava falhas que impediam qualquer funcionamento.

“O estabelecimento estava em total desconformidade com a legislação sanitária. Não tinha condições de funcionar em hipótese alguma. Com relação à falta de higiene, não foi apresentado nenhum documento comprobatório de protocolos. Foram observados insetos, conforto térmico terrível, falta de conservação adequada dos alimentos, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames de alimentos já utilizados. Está em total desconformidade”, afirmou Sérgio Freitas.

Pizza de carne de sol na nata

A investigação criminal apura se pizzas de carne de sol na nata podem ter sido responsáveis por causar a morte da mulher e os problemas de saúde nas dezenas de pessoas. Raíssa Bezerra, que morreu, ingeriu justamente uma pizza deste sabor no domingo (15). O delegado Rodrigo Barbosa, que investiga o caso, explicou.

“A suspeita recai sobre esses materiais, mas a gente precisa saber se é o próprio alimento estragado ou se é um tóxico, se é um inseticida, um veneno, esse tipo de coisa. E ainda se teria acidentalmente contaminado os ingredientes ou se foi intencional. Então, enfim, precisa pegar o resultado das perícias”, disse.

O delegado afirmou que um administrador do estabelecimento comercial disse, em depoimento, que a carne para preparar a pizza foi comprada no sábado (14), um dia antes de ser servida para as mais de 100 pessoas na noite do domingo (15). A nata foi preparada durante a tarde também do sábado.

O que disse o dono da pizzaria

Em um vídeo feito pela advogada do dono do estabelecimento, Marcos Antônio, ele disse que lamenta a morte da mulher e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.

Sobre essas investigações, ele afirmou que está colaborando com todos os órgãos citados e que também procura entender como aconteceu o caso que levou essa quantidade de pessoas a procurar atendimento médico.

“Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem”, ressaltou.

O padrasto do dono da pizzaria, que atua como administrador do estabelecimento, já prestou depoimento.

Com Jornal da Paraíba

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