Funcionários dos Correios devem decidir nesta quinta-feira (13) se entrarão em greve nacional em setembro, em mais um capítulo da disputa com a direção da estatal em torno do plano de reestruturação colocado em prática desde janeiro. A deliberação ocorrerá em assembleia convocada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que representa os empregados da empresa.
A Fentect convocou trabalhadores de todo o país a se prepararem para uma possível greve nacional em setembro, caso a direção dos Correios e o Governo Federal não recuem das medidas adotadas no plano de reestruturação.
Entre as iniciativas previstas estão o encerramento de agências, a venda de imóveis, a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e mudanças no plano de saúde dos funcionários.
A ameaça de paralisação já havia levado os Correios a interromper temporariamente parte da execução do plano. No início de julho, a empresa anunciou a suspensão, até 31 de julho, de três medidas: o fechamento de agências, a redução do número de posições de caixa e a adoção de um sistema para dimensionar a distribuição e buscar maior eficiência nas rotas de entrega.
A suspensão, porém, não alcançou outras ações previstas no programa, como a venda de imóveis, o PDV e a reformulação do plano de saúde.
A pausa no fechamento de unidades também não reverteu medidas já executadas. Segundo material divulgado pela empresa, 256 agências já foram encerradas, enquanto outras 50 estão em estágio avançado do processo de extinção.
O plano de reestruturação também é a base da operação de crédito de R$ 12 bilhões contratada pelos Correios com cinco bancos no fim do ano passado, com garantia do Tesouro Nacional. Para dar continuidade à recuperação financeira, a estatal negocia ainda uma nova linha de crédito de R$ 7 bilhões.
Os Correios afirmaram ter criado uma mesa permanente de negociação com as entidades representativas dos trabalhadores. Segundo a estatal, o objetivo é acompanhar a execução do plano e buscar, em conjunto com os funcionários, ajustes e soluções para as medidas que estão sendo implementadas.
Críticas ao governo federal
Ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Fentect também tem feito críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A entidade cobra do governo federal um posicionamento sobre o futuro da estatal e questiona qual seria o plano do governo para os Correios.
A assembleia marcada para esta quinta-feira deve definir os próximos passos dos trabalhadores diante do processo de reestruturação da empresa.
Com Veja





