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Lula supera Flávio em rejeição: o que resultado mostra sobre desafio mútuo dos candidatos

A consolidação das bases eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro pode ser, ao mesmo tempo, a principal força e o maior limite dos dois candidatos na disputa presidencial. Para o cientista político Elias Tavares, o desafio agora é ampliar o alcance das candidaturas para além dos eleitores que já estão identificados com cada lado. “A grande dificuldade dos dois candidatos, e isso serve para os dois, é como que faz para ampliar o seu teto além das bases”, afirmou.

Segundo Tavares, a etapa atual do processo eleitoral é marcada pela consolidação das rejeições. “Os candidatos à Presidência já são conhecidos nacionalmente, e a discussão eleitoral em torno deles está estabelecida. Nesse cenário, os dois nomes possuem bases fortes, que funcionam como estrutura e alicerce de suas candidaturas, mas enfrentam a dificuldade de avançar para além desses grupos”, disse Tavares.

A análise foi feita após a apresentação dos números da nova pesquisa BTG/Nexus desta segunda-feira, 24. O levantamento mostra Lula superando Flávio em rejeição pela primeira vez desde abril: o petista tem 49% no índice, contra 48% de Flávio Bolsonaro. O índice representa os eleitores que afirmam que não votariam no candidato de jeito nenhum. Na sondagem anterior, Lula tinha 48%, enquanto Flávio registrava 50%.

A pesquisa também mostra uma diferença no grau de identificação exclusiva com os dois nomes. Lula aparece com 39% dos eleitores que afirmam que votariam somente nele, enquanto Flávio Bolsonaro tem 27%. 

Na avaliação de Elias, a questão central não está apenas na movimentação dos índices de rejeição, mas na capacidade de cada candidatura de alcançar eleitores fora de sua base. O analista afirmou que os demais candidatos aparecem muito atrás dos dois principais nomes do cenário apresentado, em uma disputa marcada pela polarização.

Tavares considera que o nível de rejeição pode ter peso decisivo no resultado. Segundo ele, a eleição caminha para ser definida por quem conseguir ser menos rejeitado. O problema, observou, é que esse candidato também terá um índice elevado de rejeição.

Por isso, o cientista político avalia que Lula e Flávio precisam encontrar uma forma de falar para além de seus grupos de apoio. “Eles precisam achar uma forma de conseguir fazer isso”, afirmou. Para Tavares, a capacidade de ampliar o discurso será fundamental diante de um eleitorado que não está necessariamente preso a uma das duas bases.

Eleitor de centro

Nesse cenário, o analista atribui importância especial ao eleitor de centro. Segundo Tavares, trata-se de uma parcela menor do eleitorado que pode mudar sua percepção ao longo da disputa, funcionando como um pêndulo entre os diferentes campos políticos.

É justamente essa movimentação, na avaliação de Elias Tavares, que pode definir o resultado da eleição. Com Lula e Flávio Bolsonaro sustentados por bases fortes, a capacidade de conquistar os eleitores que estão fora desses núcleos aparece, segundo o cientista político, como um dos principais desafios da disputa presidencial.

Com Veja

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