Ex-prefeito de Belford Roxo é suspeito de integrar esquema de lavagem de dinheiro com postos de gasolina; Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, também foi preso
O ex-deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Vinicius Amim Fernandes, foram presos nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela PF (Polícia Federal) para investigar uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro.
Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Durante a ação, também foram presos Pablo Jukia Felix Ferreira, o “Pablo Russo”; José Carlos Alves de Souza Júnior; Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes.
A Justiça ainda determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, desse total, 96 são postos de combustíveis, utilizados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa.
Investigações
O grupo é suspeito de lavar dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a PF, o esquema conta com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional.
A investigação apontou que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com o Relatório de Inteligência Financeira do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), enviado à Polícia Federal.
Entre os alvos desta manhã (15) estão Márcio Canella (União Brasil); o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Vinicius Amim Fernandes; Pablo Jukia Felix Ferreira, o “Pablo Russo”; José Carlos Alves de Souza Júnior; Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes.
A reportagem apurou que “Pablo Russo” teria integrado equipes comandadas por Marcus Amim em diversas delegacias e seria o verdadeiro controlador, por meio de supostos laranjas, de uma rede de postos de combustíveis com empresas ativas e inativas, utilizada para ocultar e lavar recursos ilícitos.
2° deputado estadual mais votado do RJ
Márcio Canella (União) foi reeleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro no domingo (4), com 197.178 votos, o equivalente a 2,24% dos votos válidos no estado. Ele recebeu a segunda maior votação entre os 70 deputados estaduais eleitos.
Em julho, Canella foi preso em flagrante após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil calibre .556 no veículo em que estava. Inicialmente, ele estava entre os alvos dos mandados de busca e apreensão expedidos na sexta fase da Operação Unha e Carne.
Na ocasião, Canella afirmou que o fuzil apreendido pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.
Três dias após a prisão, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo.
A decisão autorizou que Canella respondesse ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.
Operação Unha e Carne
Esta é a 8ª fase da Operação Unha e Carne, investigação que anteriormente prendeu os políticos Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, conforme suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
A ação desta quinta-feira (15) se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desmantelar organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, a operação ocorre em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF 635 e foi o tema da reunião realizada no último dia 6 de outubro entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes.
Outro lado
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e não compactua com qualquer desvio de conduta.
Veja:
“A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.
CNN Brasil





