De agendas de rua a eventos eleitorais, lideranças paraibanas repetem o visual em uma estratégia que mistura identificação, proximidade e construção de imagem
Quem acompanha a política paraibana percebeu uma tendência que vem se repetindo nas agendas, eventos e redes sociais: a camisa branca virou uma escolha frequente entre políticos de diferentes grupos.
Mas, para além de uma preferência pessoal ou do calor paraibano, a escolha pode ter um componente de marketing político.
Na comunicação de imagem, o branco é associado culturalmente a simplicidade, organização, limpeza e neutralidade. Quando usado em uma camisa sem gravata, polo ou peça de linho, também ajuda a construir uma aparência mais informal e próxima do eleitor.

Outro ponto é a versatilidade. O branco combina com praticamente qualquer cor e permite que bandeiras, logomarcas e outros elementos da campanha ganhem destaque sem poluir a imagem.
A camisa branca não é novidade na estratégia de imagem eleitoral. Em 2016, o marqueteiro Lula Guimarães recomendou a João Doria um visual mais básico, com jeans e camisa branca, como parte da estratégia para aproximar o então candidato do eleitor paulistano.
Para o marketing político, a repetição de um determinado visual também pode ajudar na construção de identidade. Quando o eleitor passa a reconhecer determinado político por uma estética recorrente, a roupa deixa de ser apenas roupa e passa a integrar a imagem pública.
O Diário do Nordeste fez exatamente essa pergunta em 2022: “Por que a camisa branca virou o uniforme dos políticos candidatos ao Governo do Estado do Ceará?”. A reportagem observou que candidatos de diferentes partidos passaram a usar branco em vez das cores partidárias, apontando justamente para a ideia de neutralidade visual.
Na Paraíba, nomes das principais chapas na corrida eleitoral aparecem frequentemente de camisa branca. O fenômeno chama atenção justamente porque atravessa partidos e grupos distintos.
Seja por estratégia de imagem, preferência pessoal, conforto ou uma combinação desses fatores, o fato é que a camisa branca deixou de ser apenas uma escolha casual e passou a aparecer com frequência nas principais agendas políticas da Paraíba.
Em um ambiente no qual cada fotografia pode virar postagem, cada vídeo pode ganhar milhares de visualizações e cada detalhe pode ser interpretado pelo eleitor, até a escolha da camisa passou a fazer parte da disputa pela imagem pública.
Como bem resumiu Karl Lagerfeld: “Se você me perguntar o que eu mais gostaria de ter inventado na moda, eu diria a camisa branca. Para mim, ela é a base de tudo; todo o resto vem depois.”
***Karl Lagerfeld (1933–2019) foi um dos estilistas e designers de moda mais influentes do século XX e XXI. Conhecido no meio como o “Kaiser da Moda”, o alemão transformou e revitalizou grandes casas de luxo mundiais.
PB Agora





