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Quem era Pablo da Silva, o “Barbeiro mirim”, assassinado aos 14 anos em Cachoeirinha

Jovem ficou conhecido nacionalmente e acumulava mais de um milhão de seguidores em rede social

Conhecido na internet como “Barbeiro mirim”, José Pablo da Silva Macedo, de 14 anos, foi assassinado na noite da última quarta-feira (28), no município de Cachoeirinha, no Agreste de Pernambuco.

O adolescente ficou conhecido nacionalmente por trabalhar desde os 12 anos cortando cabelos, após perder a mãe em decorrência de um câncer de útero. A sua história repercutiu em 2024 após a participação em um programa de rede nacional.

Na época, o pai de Pablo havia encontrado uma máquina de cortar cabelo no lixo e decidiu levar para casa para utilizar o item, já que a família não tinha condições de frequentar um salão de beleza ou uma barbearia.

O primeiro contato do jovem com a barbearia começou em casa, ao cortar o cabelo do pai. Pablo, então, se interessou em ingressar em um curso voltado para a profissão, realizado por um salão local.

O garoto conseguiu participar das aulas de forma gratuita, mas precisou carregar sacolas na feira para arrecadar dinheiro e comprar os equipamentos.

“Toda quinta eu saía às 4h30 e ia carregar feira. Ganhava 60, 50 reais, aí juntava”, contou o Pablo em entrevista ao programa “Domingo Espetacular”, da Record.

Após concluir o curso, o jovem abriu uma barbearia na garagem do avô. Com o item adquirido para atuar no curso e uma cadeira antiga de escritório, Pablo passou a ser conhecido na cidade e receber a ajuda de outros moradores, que abriram uma vaquinha virtual para colaborar na reforma do espaço. Atualmente, o adolescente acumulava 1,1 milhão de seguidores no Instagram.

O que disse o Conselho Tutelar de Cachoeirinha?

Em contato com a reportagem, o Conselho Tutelar de Cachoeirinha informou que, depois que a história de Pablo repercutiu na mídia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recebeu denúncias de exploração do trabalho infantil.

Segundo o órgão, o MPPE solicitou o atendimento à rede de proteção do município, que “passou a verificar vínculos fragilizados entre o adolescente e o seu genitor”.

“Foi feita a tentativa, por parte dessa rede de proteção, que tivesse um acompanhamento familiar pelos técnicos para tentar uma promoção familiar. O resultado depende diretamente da boa vontade dos usuários da família. Sempre foi tentado pela rede promover um fortalecimento de vínculos de Pablo com o seu genitor”, afirmou o Conselho Tutelar.

O órgão afirmou que não sabe o que levou o adolescente a “chegar nessa situação”, e que nunca recebeu informações referentes ao comportamento de Pablo.

O Conselho Tutelar informou ainda que acreditava que o adolescente tinha aproximação com familiares e parentes, e que tinham informações de que Pablo visitava uma irmã mais velha por parte de mãe com frequência.

“Temos informação de que ele sempre visitava uma irmã mais velha, onde ela sempre teve boa convivência com ele em outro município. Sempre que possível ele visitava essa irmã. Acreditamos que técnicos da rede na época tiveram informações de que ela tinha interesse em colaborar no que fosse necessário, mas nunca chegou a ser aberto um procedimento para ele ir morar com ela”, detalhou o órgão.

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre o caso, mas ainda não obteve retorno.

Com Folha Pernambuco

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