Velório acontece no domingo (5), das 8h às 13h, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, e enterro ocorre em Paulista. Governo do estado decretou luto de três dias.
O deputado estadual Waldemar Borges (PSB) morreu, neste sábado (4), no Recife, aos 67 anos, em decorrência de um câncer. Ele era marido da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, Luciana Santos, que confirmou a morte, em nota. O governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias em reconhecimento à dedicação do parlamentar ao estado (veja notas de pesar mais abaixo).
Eleito pela primeira vez em 2011, Waldemar Borges foi reeleito por mais três mandatos consecutivos (confira a trajetória política dele mais abaixo). Conhecido como Wal por familiares e amigos, ele estava de licença para tratamento da doença, e o suplente, Cayo Albino (PSB), vinha exercendo o mandato na Alepe.
O velório acontece no domingo (5), das 8h às 13h, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. O enterro ocorre em seguida, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. O político deixou três filhos: Waldemar, Mariana e Luan.
Em nota, Luciana Santos e os três filhos de Waldemar Borges expressaram “profunda dor e saudade”, além de afirmar que:
- ele era ” uma das figuras mais íntegras, coerentes e dedicadas da história política recente de Pernambuco”;
- deixou “uma lacuna irreparável na vida pública e, acima de tudo, no seio” da família;
- “dedicou toda a sua vida a uma trajetória marcada pela coerência, correção, firmeza, compromisso social e, acima de tudo, por uma imensa capacidade de diálogo”;
- “seus quase 40 anos de trajetória pública, dos quais 32 exercendo mandatos conferidos pelo povo, foram desempenhados com reconhecida decência”;
- isso o consolidou como “um dos melhores representantes da boa política — aquela elevada, transformadora e voltada para a coletividade. A política como ela deve ser”;
- Waldemar foi um “homem público exemplar, […] marido e pai amoroso, cuja generosidade e retidão continuam a ser o nosso orgulho e o nosso maior norte”;
- “sua história e seu legado permanecem vivos em nossos corações e como um farol para as próximas gerações”.
Trajetória política
Nascido em 10 de julho de 1958, Waldemar Borges iniciou a vida política na reorganização da juventude partidária e foi eleito vereador da capital pernambucana por quatro mandatos consecutivos: em 1988, 1992, 1996 e 2000. Entre 2003 e 2004, ele também presidiu a Câmara Municipal do Recife.
Antes de chegar ao primeiro mandato, Waldemar Borges ocupou cargos no governo estadual. Foi diretor de Pesquisa e Ação Social da Secretaria de Trabalho e Ação Social de Pernambuco e secretário-adjunto de Trabalho em 1986, no governo de Miguel Arraes.
Confira outros destaques da trajetória política de Waldemar Borges:
- Após ser eleito vereador, participou da Constituinte Municipal de 1990, com atuação voltada à ampliação de instrumentos de participação e controle social na gestão pública;
- Em 1995, voltou a integrar a gestão de Miguel Arraes como secretário de Projetos Especiais;
- Em 2001, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura do Recife;
- Em 2005, presidiu a Empresa de Processamento de Dados do Recife (Emprel);
- No governo de Eduardo Campos, foi secretário de Articulação Social entre 2007 e 2010, coordenando a Câmara de Prevenção Social do Pacto pela Vida e o Conselho Estadual de Desenvolvimento Social;
- Em 16 anos na Alepe, foi líder dos governos Eduardo Campos, João Lyra Neto e Paulo Câmara, além de presidir comissões de Educação e Cultura, Constituição, Administração Pública, Legislação e Justiça.
Luto e pesar
Além de decretar luto oficial de três dias no estado, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), lamentou a morte do deputado e disse que recebeu a notícia com pesar. Em nota, ela ressaltou que foram colegas na Alepe e tiveram um convívio marcado pelo respeito e amor a Pernambuco.
“Que Deus console o coração da sua esposa, a ministra Luciana Santos, seus filhos, inúmeros amigos, seu time e todos os pernambucanos que lamentam sua partida”, afirmou Raquel Lyra.
Presidente nacional do PSB, João Campos contou que recebeu “com enorme tristeza a notícia do falecimento do amigo” e que teve “a oportunidade de conhecer seu caráter, sua generosidade, sua lealdade e seu profundo compromisso com Pernambuco”. O ex-prefeito do Recife também declarou que “Waldemar foi um homem público que honrou a política com seriedade, ética e espírito público”.
Em nota, disse, ainda, que Waldemar “enxergou seus mandatos como instrumento para melhorar a vida das pessoas, especialmente das que mais precisavam”, deixando um “exemplo de dedicação, coerência e compromisso que seguirá inspirando todos aqueles que acreditam na boa política”. Além de transmitir solidariedade à família, desejou que “as lembranças, os ensinamentos e o legado de Waldemar sejam fonte de conforto e esperança para todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”.
O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, disse que Waldemar foi um “homem público com uma trajetória de compromisso com Pernambuco” e teve “uma vida marcada pela dedicação, seriedade e respeito ao diálogo democrático, deixando uma contribuição inestimável para a política”.
O deputado estadual também afirmou que Waldemar “fará falta por muitas razões, entre elas seu trato sempre amistoso, seu trabalho propositivo em favor do povo pernambucano e sua reconhecida capacidade de diálogo, atributos tão necessários em tempos de tanta dissonância na política”. Além disso, contou que o “PSB chora essa grande perda e se solidariza com os familiares, amigos, correligionários e todos os pernambucanos e pernambucanas impactados pelo legado de Waldemar”.
Em nota assinada pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto, a Assembleia decretou luto oficial de cinco dias e afirmou que tanto a instituição quanto Pernambuco perderam “um deputado cuja trajetória foi marcada pela decência, gentileza, disponibilidade para o diálogo e defesa coerente e sempre muito bem fundamentada das suas convicções”. Também afirmou que Waldemar “deixa saudade, mas também um legado de comprometimento com a vida pública”.
Ainda no texto, declarou que “Waldemar deixa também uma lacuna no coração de quem conviveu com ele e pode desfrutar da sua cordialidade e boa prosa e ouvir dele opiniões e análises invariavelmente equilibradas sobre temas relacionados à Assembleia, a Pernambuco e ao país”. Ao fim, disse que a “Alepe está órfã e de luto pela partida de um dos seus mais brilhantes integrantes”, além de externar sentimentos e solidariedade à família do deputado.
Além de decretar luto de três dias, a Câmara Municipal do Recife afirmou que, nos cinco mandatos como vereador, Waldemar “deixou marcas profundas na cidade, sendo reconhecido pela coerência e compromisso com o trabalho parlamentar”. A Casa de José Mariano também prestou “condolências à família e aos inúmeros amigos, neste momento de pesar e profunda dor”.
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB) declarou que a partida de Waldemar “é uma grande perda para as causas populares e para a política feita com diálogo e responsabilidade”. Além disso, expressou solidariedade à família do deputado estadual.
G1/PE





